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1 de jun de 2015

FONTE: SONHO SEGURO




Lei que regulariza desmonte de veículos pode reduzir roubos e abrir espaço para o seguro popular, com uso de peças recondicionadas
Por Felipe Datt
De 2010 a 2014, uma média de 420 mil veículos foram furtados ou roubados, anualmente, no Brasil. O número equivale a 1.150 automóveis por dia, ou 48 por hora, a cada ano. Na média anual, apenas 210 mil veículos foram recuperados e devolvidos aos seus proprietários. A localização exata desse imenso contingente que supera a marca de 1 milhão, o equivalente à frota de Curitiba, é desconhecida, mas o paradeiro, na grande maioria dos casos, está na ponta da língua dos especialistas: os desmanches clandestinos.
Essas “oficinas” especializadas na desmontagem dos veículos e na posterior comercialização das peças no mercado negro proliferam no Brasil e são o grande chamariz das quadrilhas especializadas, que, em 2014, ajudaram a turbinar as estatísticas desses ilícitos. Apenas no ano passado, segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), foram 516.084 veículos roubados no Brasil, um crescimento de 10% ante os 469.106 do ano anterior. Um problema que reflete diretamente nos índices de sinistralidade das seguradoras (superior a 60% na média dos últimos cinco anos), nos desembolsos com indenizações e no valor de seguro mais salgado para os motoristas.
Dos veículos roubados em 2014, apenas 273.832 foram recuperados, ou 53% do total. “Eliminando o destino final desses veículos, reduziremos os roubos e furtos e os efeitos positivos serão sentidos por todo o mercado segurador”, prevê o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas. Mais do que um desejo, a regularização da atividade de desmontagem de veículos e o fechamento das oficinas clandestinas pode se tornar realidade com a Lei Federal 12.977/14, a popular Lei do Desmanche.
A legislação, sancionada em 2014 e com regulamentação prevista no primeiro semestre deste ano, “regulariza e disciplina a atividade de desmontagem ou destruição de veículos”, em uma versão nacional de textos correlatos como a Lei 15276/14, do Estado de São Paulo. Em vigor desde julho de 2014, o texto paulista motivou a criação de uma força-tarefa que, até meados de março deste ano, havia fiscalizado mais de mil desmanches ilegais de veículos, dos quais 770 foram fechados. Os roubos ainda cresceram no Estado em 2014, mas em ritmo menor.
“A lei federal é boa, mas se o poder público dos demais Estados não a aplicarem e não houver fiscalização eficiente dos desmanches a exemplo de São Paulo, será letra morta”, opina o diretor-geral da Porto Seguro, Luiz Pomarole. Além da regularização dos desmanches visando reduzir roubos e, por tabela, o número de sinistros, o otimismo do setor recai sobre um possível “efeito secundário” da lei.
Ao prever, no artigo 2 o , que o desmonte dos veículos será seguido da “destinação das peças ou conjunto das peças para reposição ou sucata”, a lei federal abre espaço para que o mercado segurador tenha atendido um antigo pleito de operar com produtos cujas coberturas prevejam a utilização de peças usadas ou recondicionadas, com origem certificada e rastreada, no reparo de automóveis, – hoje, por lei, as seguradoras só podem reparar os carros com peças novas e originais de fábrica, um dos principais fatores de encarecimento do valor do seguro para carros mais antigos.
Para isso, é aguardada para 2015 a publicação pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) de uma circular autorizando o desenvolvimento do chamado “seguro popular”, mais barato, com foco em carros mais antigos e cujo objetivo principal é amparar um grande contingente de motoristas que hoje não possuem proteção para seus veículos. “O seguro ainda não cabe em muitos orçamentos. Com o seguro popular, a tendência é oferecer um custo de reparo menor e inserir novos consumidores no mercado de seguros”, diz o diretor técnico de Auto/RE da Bradesco Seguros, Saint-Clair Pereira Lima.
Citando estatísticas da própria carteira, o diretor de automóvel e massificados da SulAmérica, Eduardo dal Ri, explica que o novo perfil de consumidores que passou a contratar seguros nos últimos oito anos por conta da ascensão social e da melhor oferta de crédito, por exemplo, já desiste da proteção mais cedo. Se antes, ao adquirir um carro zero, o cliente contratava um seguro por até 3,5 anos, hoje ele permanece, em média, por 2,8 anos. “O produto popular pode ser o alavancador do mercado no médio e longo prazo.”
Estimativas mais otimistas sobre o seguro popular e possibilidade de utilizar peças de segunda mão no reparo dos veículos dão conta de que a apólice podería ficar até 30% mais econômica, atraindo às carteiras das seguradoras até 4 milhões de veículos. Atualmente, apenas 30% da frota brasileira, ou 16 milhões de veículos, é protegida. Mas é consenso que a efetividade das duas medidas – a lei e o seguro popular – requer um tempo de maturação para que seus efeitos sejam sentidos.
Na opinião do vice-presidente técnico da HDI Seguros, Murilo Riedel, no desenvolvimento de um mercado de peças de reparo de segunda mão estruturado para atender a demanda das seguradoras. “Acredito que só poderemos oferecer o seguro popular com peças recondicionadas quando houver um processo de distribuição logística adequado. Isso leva tempo”, diz Riedel. “Sem isso, aumenta o tempo de reparo, o custo com o carro parado nas oficinas e o gasto com carro reserva”, completa o diretor-geral de automóveis do grupo BB c Mapfre, Jabis Alexandre.
Enquanto aguarda a regulamentação da lei e a autorização para o seguro popular, as seguradoras se deparam, em 2015, com um cenário desafiador composto por uma economia em vias de retração, o ciclo de aperto monetário que encarece o custo de financiamento e, sobretudo, pelo decréscimo nas vendas de carros novos, o grande vetor de crescimento desse segmento. Após recuar 7,1% em 2014, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a venda de veículos acumula retração de 17% de janeiro a março de 2015 – no ano, a queda prevista no segmento de comerciais leves é de 12,3%.
Ainda que historicamente haja um descolamento dos gráficos de desempenho da indústria automobilística e do mercado de seguros, o mau desempenho da primeira exerce influência no ritmo de crescimento do segundo. Com a queda na venda de zero-quilômetro, as receitas de prêmios desse ramo avançaram apenas 7,3%, para RS 31,40 bilhões, segundo a CNseg. Para este ano, a perspectiva é de avanço de 5% a 6% na arrecadação de prêmios.
A explicação para a desaceleração em um segmento acostumado a entregar avanços anuais de dois dígitos é simples. Cerca de 80% dos veículos novos produzidos anualmente no Brasil contratam seguros – e apenas 20% continuam protegidos após cinco anos de circulação. “Com o bom desempenho da indústria automotiva, os carros com mais de cinco anos saíam das carteiras das seguradoras e eram substituídos por veículos novos. Esse movimento ainda ocorre, mas em ritmo menos intenso do que antes”, diz Freitas, da FenSeg. A boa notícia para as seguradoras é que, mesmo em queda, ainda há uma grande frota de veículos novos entrando no mercado. Sem contar que a produção nacional de veículos nos últimos anos colocou nas ruas um estoque de seminovos “seguráveis” que continua alimentando suas carteiras. Com menos carros novos sendo vendidos, a disputa pelo mercado em 2015 se concentrará na manutenção dos segurados atuais – e na busca por clientes de outras carteiras. “Entraremos em um ciclo de ‘rouba-monte’”, prevê Pereira Lima, da Bradesco Seguros. Com 1,75 milhão de veículos segurados, a Bradesco Seguros repete este anoa fórmula empregada em 2014, quando a receita em prêmios de seguro de automóveis cresceu 34%- recuperando-se do período anterior. A estratégia é calcada em uma nova “modelagem” de preços e, sobretudo, na ampliação do portfólio de produtos e na melhoria da oferta dos serviços nos Bradesco Auto Centers e a criação de um produto mais econômico que cobre apenas o sinistro de terceiros e voltado para veículos com até 15 anos. “Nossa estratégia é estar bem focados na retenção da carteira “, diz Pereira Lima. É consenso que a proteção das carteiras contra o jogo de “rouba-monte”, comum em momentos de crise, dará a tônica em 2015. É consenso também que apenas preço não é mais um fator que, sozinho, será suficiente para segurar-ou atrair-os clientes. Em 2014, por conta do aumento da sinistralidade com furto de veículos e, principalmente, com a maior pressão de custos ocasionada pela inflação de peças de reparo que comprimem suas margens, as seguradoras elevaram os preços do seguro entre 8% e 10%, em média, com picos de 15%. Novos reajustes de preços em 2015, para cima ou para baixo, serão diretamente proporcionais às condições de mercado. “Há um quadro de acirramento de competição e ninguém pode se dar ao luxo de perder bons segurados. Mas, ao mesmo tempo, o mercado se mostra bastante responsável. Não é apenas um preço especial que vai reter o segurado. E a experiência com a boa qualidade dos serviços”, diz Murilo Riedel, da HD1 Seguros, quinta colocada no ranking de seguradoras de automóveis com 1,6 milhão de veículos na carteira. Com tantos desafios, as seguradoras apostam na criatividade, ofertando novos produtos, criando seguros voltados a nichos específicos, inovando nas coberturas, oferecendo descontos para os “bons riscos” e investindo na melhoria contínua dos serviços e assistências. Na Porto Seguro, líder no mercado com 5 milhões de veículos segurados e avanço de 12% em prêmios de seguros em 2014, a aposta é cada vez mais na segmentação de perfis, com coberturas desenhadas para suas diferentes necessidades. Depois de lançar um produto específico para mulheres (com coberturas até para a cadeirinha do bebê), a empresa lançou, no ano passado, o Auto Jovem, voltado a um público de 18 a 24 anos, considerado de alto risco por se envolver em acidentes com mais frequência – tradicionalmente são também os que pagam mais caro pela proteção. O Auto Jovem oferece até aulas de educação no trânsito, aponta os perigos de dirigir embriagado, e inclui simulações no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Um dispositivo instalado no veículo do cliente fornece à seguradora informações sobre os horários em que esse jovem dirige, os locais que frequenta, os limites de velocidade. “Se extrapolar os limites, dirigir a 120 km/h ou andar em zigue-zague, o dispositivo identifica isso e o segurado perde os descontos. Se dirigir de maneira moderada, ganha descontos que podem chegar a 30% do preço padrão”, diz Luiz Pomarole. O grupo BB e Mapfre, que contabilizou R$ 5,4 bilhões em prêmios de automóveis em 2014 e frota segurada com 2,9 milhões de itens segurados, aposta na ampliação dos seus centros automotivos em 2015 – de 70 para 80 – e em serviços adicionais como a renovação via SMS e a perícia on-line estendida aos segurados. O serviço permite ao segurado, em caso de colisão, tirar fotos do veículo e postá-las na web junto com o aviso de sinistro, agilizando a liberação do orçamento e o reparo assim que o carro chegar à oficina. “Também apostamos na nossa grande capilaridade na distribuição dos seguros, com parcerias com montadoras e associações de concessionárias”, diz o diretor-geral de automóveis, Jabis Alexandre. – See more at: http://www.sonhoseguro.com.br/2015/05/desmanche-legal-cria-um-novo-nicho/#sthash.bUbdq9RW.dpuf